sexta-feira, 21 de março de 2014
todas as flores são eternas
chegamos sós
mas construímos a ideia de que estamos acompanhados
graças à artimanha da natureza que nos arredonda as faces
torna graciosos os nossos gestos
nos transforma, por um tempo, em belas flores
depois, quando entardece, os ossos esquinam-se e endurecem
o brilho do olhar tomba sob nuvens de negras rugas
e as belas pétalas decaem em estranhas formas, que o vento arrasta
na penumbra, já poucos nos veem
e os que o fazem apenas tateiam a memória que sobra
da vaga ideia do que pensam termos sido
ou de eventuais vestígios que largámos pela paisagem
estamos sós,
vivemos e morremos sós:
tem um custo gozar o privilégio de apreciar
as belas flores que ajudamos a dar vida…
mas não é triste, nem alegre
é apenas assim
o fazer parte da eterna paisagem mutante
mas em cada primavera
o vulto das flores caídas, os seus remotos aromas,
animam-se nos bicos das aves, nos rebentos das velhas árvores
nos traços de cada flor...
de que podemos queixar-nos?
mesmo que não saibamos, mesmo que não demos por isso
todas as flores são eternas
Daniel D. Dia
terça-feira, 18 de março de 2014
A UE não é território ideal para qualquer utopia
Medeiros Ferreira faleceu hoje mas como se costuma dizer morre o homem e fica a obra. Não me lembro de melhor forma de homenageá-lo nesta altura, do que recordar o que suponho ser o seu último livro intitulado “Não há mapa cor-de-rosa – A história (mal)dita da integração europeia”, editado pelas Edições 70, em 2013. Este é um dos documentos mais lúcidos e esclarecedores sobre a génese da União Europeia que já tive ocasião de ler. Através dele podemos entender as razões que subjazem ao chamado projeto europeu, que teve tudo menos razões altruístas para ser implementado. Lendo livro fica claro que a UE foi um estratagema conduzido pela “direita civilizada” – a democracia (dita) cristã, apoiada pela única potência mundial que lucrou com a guerra, os EUA, para relançar a Alemanha como testa de ponte da economia ocidental. O objetivo era construir uma barreira no coração da Europa ao hipotético avanço – ou contágio - do que se entendia ser na altura o modelo socialista, algo que, em rigor ninguém sabia o que era, excepto que tinha tido a força suficiente para derrubar Hitler e ganhar a guerra.
Diz Medeiros Ferreira:
“Enquanto durou o conflito Leste-Oeste, a divisão da Alemanha e a existência de regimes de democracia de influência soviética, a Comunidade Europeia caprichou em dar respostas positivas aos desejos de desenvolvimento e de modernização dos países chamados da ‘coesão’: Irlanda, Grécia, Portugal e Espanha, por ordem de chegada entre 1973 e 1986. Quando acabou a noção de ‘Europa Ocidental’ e se operou a reunificação alemã, assim como o alargamento a Leste, começou a emergir o egoísmo das lógicas nacionais. Entre 1992 e 2001 passou-se num ápice da miragem da ‘Europa dos Cidadãos’ para a realidade da ‘Europa das Chancelarias’.
(…) Não há maneira de escamotear o diferente comportamento da EU antes e depois do fim da guerra fria. Mesmo a defesa e promoção dos direitos humanos no espaço de liberdade e justiça sofreu uma subalternização nítida. O facto de a EU não subscrever a Convenção Europeia dos Direitos Humanos do Conselho da Europa foi disso sintoma e prova.”
E no final, previne:
“O erro inicial foi o da fuga à vontade dos povos e ao escrutínio democrático a nível europeu. Disse-o Mendés France com clareza no Parlamento francês em Janeiro de 1957. O chamado ‘método Jean Monnet’ acabaria por criar um hiato entre a Europa dos oligarcas e dos burocratas e a Europa dos Cidadãos para surgir agora a Europa das Chancelarias. Ora, a Europa das Chancelarias não é um passo em frente em relação à história do continente. Nem na sua forma de eixo, ou directório, e muito menos sob qualquer conduta unilateral. Sendo certo que a UE não é território ideal para qualquer utopia.”
“Não há mapa cor-de-rosa – A história (mal)dita da integração europeia”, de José Medeiros Ferreira, esclarece muitos pontos obscuros desta UE que atravessa uma fase crítica da sua existência. Para conhecer melhor a Europa e compreender a atual crise mas também como forma de homenagear o político e pensador Medeiros Ferreira, sugiro a leitura urgente deste livro.
Daniel D. Dias
quarta-feira, 12 de março de 2014
Consensos
Cavaco fala da necessidade de um consenso para vencer a crise http://www.publico.pt/politica/noticia/pr-insiste-nas-vantagens-de-um-entendimento-politico-para-o-postroika-1627777
e agora, inesperadamente, como diz Bagão Felix, aí surge um http://expresso.sapo.pt/manifesto-de-70-personalidades-apela-a-reestruturacao-da-divida=f860221. E é um consenso a sério, transversal, como há
muito não se via na sociedade portuguesa. Cavaco vai ficar contente? Claro que
não, pois não é este tipo de consenso a que Cavaco chama “consenso”. Cavaco (economista)
tem a mesma visão que Salazar (economista) tinha para Portugal. Um Portugal,
pobre, rústico, (Cavaco elogia o regresso aos campos…), bem comportado, de
boina na mão. Um Portugal de “consensos” obtidos em câmaras corporativas onde, se
necessário à força, se “harmonizam” os interesses dos ricos e dos pobres.
Ou muito me engano ou Cavaco irá contestar este consenso por achá-lo
"inoportuno", como lhe chamou o Gelatina Estridente, por exemplo, ou argumentando
com uma qualquer roteirisse daquelas a que já nos habituou. Ou então, pura e
simplesmente, vai ignorá-lo. Este tipo de consensos é algo muito pouco
agradável para Cavaco. É que fica completamente à vista que o verdadeiro chefe
deste (des)governo, não é o gauleiter Passos, mas o próprio Cavaco.
Daniel D. Dias
segunda-feira, 10 de março de 2014
Ucrânia
A ideia de que na Ucrânia se combate pela liberdade contra a opressão já era suspeita à partida, quando começaram as concentrações em Kiev. Era no mínimo estranho que toda a direita e extrema-direita europeias fizessem um coro unânime e histérico, laudatório dos manifestantes e condenatório dos corruptos oligarcas ucranianos. É bom que se assinale, que esses oligarcas, cavalheiros de indústria, verdadeiros criminosos que enriqueceram com o desmantelamento do antigo Bloco de Leste, têm o seu dinheirinho bem guardado na EU e nos EUA, onde dispõem de tratamento VIP. Personagens como Barroso, Hollande, Angela Merkel, Cameron, McCain, Obama, Rasmussen, Catherine Ashton, Donald Tusk, Rajoy, só para citar alguns, aliados e coniventes em recentes ingerências (Iraque, Afeganistão, Paquistão, Líbia, Síria, por exemplo), que outro sinal poderiam dar que não fosse o de estarem a apoiar algo muito duvidoso?
Mas o aparato dos “media”, a manipulação da informação, os agentes e comentadores de serviço que dominam o “status quo” na EU e EUA – citados permanentemente como “comunidade internacional!” -, fizeram crer a muito boa gente que se tratava duma verdadeira revolução, pela liberdade, contra o opressor russo.
A procissão ainda vai no adro mas já há indícios claros de que está muito mais em jogo do que a luta de um povo pela sua independência e liberdade. O que à partida parece estar a acontecer é o aproveitamento de descontentamento legítimo dum povo para relançar os avanços geoestratégicos a leste há muito pretendidos pela OTAN – a única organização militar que sobreviveu à Guerra Fria e que não para de expandir-se (onde lá vai o Atlântico Norte). Não deixa de ser curioso que resquícios dessa Guerra Fria estejam agora a ser ressuscitados para defender ou para atacar a Rússia… como se da União Soviética se tratasse.
O artigo de Daniel Oliveira publicado no Expresso online de hoje (10/03/14) http://expresso.sapo.pt/apresento-vos-os-defensores-dos-valores-europeus-na-ucrania=f860020 dá um contributo importante para entender o imbróglio em que esta União Europeia nos está a meter a todos. De igual modo o Jornal I, também de hoje, http://www.ionline.pt/artigos/mundo/kiev-acusada-contratar-mercenrios-da-blackwater revela que mercenários duma famosa empresa de segurança, sediada nos EUA, foram e continuam a ser utilizados para intervir na Ucrânia.
As coisas raramente são o que parecem e quase nunca são tão simples. Mas uma coisa é certa: a UE, que ainda está mergulhada numa crise, embarcou em mais uma aventura de desfecho imprevisível.
Daniel D. Dias
Nota: Sobre a empresa de segurança citada – Blackwater, agora também chamada Academi -, vide http://blackwaterprotection.com/ , http://www.motherjones.com/mojo/2009/08/blackwater-too-big-fail, http://academi.com/, http://narcosphere.narconews.com/notebook/erin-rosa/2010/08/blackwater-provided-unauthorized-training-colombia
sexta-feira, 7 de março de 2014
Cão de Pavlov
A maioria das pessoas acantona-se nas suas ideias e rejeita as dos
outros a não ser que esteja previamente disponível para concordar com elas. É
por isso que é tão pouco produtivo, tão dececionante, gastar tempo a esgrimir
argumentos. As pessoas estão tão carentes, tão desejosas de atenção, que não
procuram esclarecimento. Procuram companhia, esmolam compreensão. Paradoxalmente
estamos a tornar-nos profundamente ignorantes e mais manipuláveis do que nunca graças
aos avanços da ciência e da tecnologia que compramos e promovemos
entusiasticamente. Tornámo-nos mercadorias e somos objetos de marketing com o
qual voluntariamente colaboramos, mesmo sabendo que somos usados. Que importa?
O que é preciso é que não fiquemos sozinhos, que em alguma parte do universo
alguém nos dê razão… O cão de Pavlov pode continuar a salivar e uivar de dor,
mas quem está condicionado é afinal o próprio Pavlov.
Daniel D. Dias
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Felicidade
Felicidade é sentir-se bem? É gostar de viver? É amar e/ou ser amado? É ter objetivos na vida? É ter uma carreira (seja lá o que isso for)? A felicidade tem níveis (grande, pequena, assim, assim)? Duvido. Os gatos vadios que agora me invadem o quintal, passam fome, frio, lutam uns com os outros, amam-se, adoecem e julgo que também morrem. Serão felizes? Serão infelizes? Quando têm sol deitam-se e apanham-no, visivelmente deliciados. Numa qualquer cama, improvisada, dormem descontraídos. Quando comem algo, mesmo duvidoso, parece que o fazem com apetite, sem hesitação. Zangam-se mas também brincam. Não sei se são felizes, mas apostava que também não são infelizes. Em que são diferentes de mim? Por exemplo, nada comparam, aproveitam tudo o que tem utilidade imediata e nada guardam. Não pensam no dia de ontem e não receiam o de amanhã. Têm memória mas não são escravos dela nem têm ressentimentos. A memória para eles não passa dum instrumento, como os dentes, as unhas ou o olfato.
Bem, tudo isto é uma especulação minha, dum viciado em pensamentos. Mas os gatos sugerem-me que a felicidade – conceito que nós, humanos, temos sempre presente e nos preocupa tanto que até já se ter tornou disciplina científica - talvez seja um estado de indiferença a essa coisa de ser feliz ou infeliz…
(Não confundir felicidade com prazer, ou infelicidade com sofrimento. Há prazer e sofrimento que aparentemente não geram infelicidade e vice-versa. Quando agimos plenamente, quando amamos, pelejamos, construímos, destruímos, corremos, jogamos, não questionamos se somos felizes ou infelizes. Não temos tempo para isso. Só quando paramos, nos abrigamos ou procuramos refúgio, nos sentimos infelizes. Raramente, nessa circunstância, nos dizemos felizes. A felicidade, então, é algo que fica sempre lá para trás, num passado a maioria das vezes difuso…)
Essa coisa da felicidade é pois tramada, difícil de definir. Existirá? Quando se fala dela, já passou ou pura e simplesmente percebeu-se que, afinal, nunca existiu. Viver sem medo, tranquilamente, gostar de alguém, ser amado, sentir-se útil, não padecer de dores físicas e morais, não sofrer privações, dará prazer, será agradável. Mas será suficiente para gerar felicidade? O facto corrente de gente com tudo isso, com sucesso invejável, suicidar-se, parece mostrar o contrário.
Provisoriamente admito que a felicidade talvez exista, mas como “tendência para um limite”, como uma aspiração que incha ou emagrece ao sabor das contingências sempre variadas das nossas vidas. Ao fim e ao cabo talvez só sejamos verdadeiramente felizes quando não damos por isso.
Daniel D. Dias
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Descuidos
Quando há problemas (nos) intestinos é quase certo que, mais tarde ou mais cedo, surgirão descuidos denunciadores.
Foi o caso de António José Seguro, ontem. De manhã, na AR, o primeiro ministro elogiou o PS pela colaboração com o Governo na preparação do acordo sobre a aplicação dos fundos europeus para o período 2014-2020, congratulando-se com o facto de “o Governo e o maior partido da oposição, apesar das divergências que possam ter, tenham podido colaborar de forma tão próxima”. Ora Seguro que não se cansa de afirmar que se recusa a colaborar com o atual governo e que garante nunca desenvolver negociações que não sejam transparentes e do conhecimento público, não contestou estas afirmações. Contorceu-se, é certo, mas acabou por deixar um fedor de incómodo comprometimento a pairar no hemiciclo http://noticias.pt.msn.com/ps-colaborou-de-forma-pr%C3%B3xima-com-o-governo-sobre-fundos-europeus-%E2%80%93-passos-coelho.
Mas logo a seguir, no “Clube da Alameda”, em jeito de pré campanha eleitoral, afirmou que “os últimos quatro governos prometeram todos que não aumentavam impostos e quando chegaram ao governo aumentaram esses impostos”. Manifestou assim, de forma descarada, aquilo que há muito disfarçava: a quebra de lealdade com o seu próprio partido e em particular com a última governação socialista que - é bom não esquecer - é o álibi supremo desta corja que tomou o poder. http://noticias.pt.msn.com/seguro-critica-governos-do-ps-e-psd-por-incumprimento-de-promessas-eleitorais. Desta vez o fedor foi tão inequívoco que se sentiu por todo o país. Só lhe faltou mesmo o ruído peculiar para merecer o habitual epíteto...
Não sei se Seguro tem na mira agradar ao eleitorado descontente ou se é movido pela sub-reptícia convicção de que, afinal, os portugueses têm vivido a cima das suas possibilidades e que, não sendo simpática embora, a atual maioria está no caminho certo e faz o inevitável, o que tem de ser feito. Será por isso que nada promete? Ou será que – pura e simplesmente - nada tem para prometer?
Uma coisa parece certa: se os militantes do PS não se puserem a pau, Seguro fará ao PS o que Passos tem feito ao país.
Daniel D. Dias
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Processo Casa Pia e as imundices dos "violados" que não se lembram como foram violados e por quem...
Processo Casa Pia e as imundices dos "violados" que não se lembram como foram violados e por quem...
"Pedro Namora alegou ter sofrido "ameaças, perseguições e tentativas de difamação" pela sua intervenção a favor das vítimas de abusos sexuais na Casa Pia de Lisboa, referindo que "os maiores ataques que sofreu pertenceram ao arguido Carlos Cruz (apresentador de televisão) e ao ex-arguido Paulo Pedroso".
Mas continua a Relação:
"O acórdão do TRL agora proferido sublinha ainda que o despacho de não pronúncia de Paulo Pedroso foi mantido na Relação "não por se ter logrado demonstrar que o mesmo estava inocente, o que não se demonstrou, mas sim por não se ter logrado obter indícios suficientes que o mesmo era responsável pela prática dos actos que lhe foram imputados", ou seja "não têm o valor de declaração de absoluta inocentação" deste".
Por outras palavras, o Paulo Pedroso era culpado até provar que era inocente. A presunção de inocência que se lixasse.
"Namora afirmou ter sido avisado por uma jornalista para "se pôr a pau" quando Paulo Pedroso foi incluído no processo".
Ressonância da estupidez Judicial e dos meninos do Parque Mayer
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Fábula
O redil está preparado, os maiorais estão por aí, cantando, assobiando,
para encantar o rebanho. As ovelhas seguem tosquiadas, a tiritar, mas balem
conformadas: Agora, há menos invejas, fazem parte dum rebanho maior, magricela
é certo, mas onde há sempre alguma ovelha disponível para ouvir balidos
inconformados. “Qualquer dia… qualquer dia…” Alertam alguns ovinos, que fazem
questão de salvaguardar a esperança. E de facto muitos continuam sonhando com
pastagem viçosas onde a erva fresca nunca falta. Porém continuam retouçando
cardais, dia para dia mais tísicos, ao som do chocalhar de baladas pastorais de
tempos bíblicos.
O rebanho está cansado, farto de balir em vão. Resigna-se: Sempre
foi assim. Os maiorais acabam sempre dominando. Há que aguentar. Mas, na sua inconformidade,
vai-se consolando com pequenas coisas - tricas do quotidiano, rezas, lendas de
ovelhas que venceram o pastor tirano, mitos do pastor amigo, ovelhas ronhosas
que minam o rebanho… Como sempre fez aliás: É preciso ter esperança pois que não
há fome que não dê em fartura. E há por aí muito rebanho a passar pior que o
nosso…
Os pastores atuais são sábios. Discípulos de Skinner e Bernays sabem
que o segredo está na modulação. Ovino, rato ou humano, todos são
condicionáveis, susceptíveis de domesticar. No caso do bicho humano não há
complicação de maior: Basta que se lhe alimentem as fantasias e que nunca se
deixe contaminar pelo silêncio próprio da sua mente. Este silêncio próprio -
que é o que permite pensar por si mesmo - constitui a peste mais nociva. Equivalente
à “peste suína”, nos porcinos, ou à “doença das vacas loucas”, nos bovinos.
Mas os pastores confiam na sua técnica: sabem que enquanto
alimentarem o ruído na cabeça das suas ovelhas elas permanecerão disponíveis
para obedecer e os efeitos dessa peste serão mínimos e passageiros. Mesmo que
se revoltem, mesmo que fujam, acabarão por regressar ao redil por si só. Foram
habituadas de pequenas a seguir chocalhos, identificam-se como ovelhas, têm
roupagem, hábitos, nomes, tradições, chips, de ovelha. Como podem conceber um
mundo sem redis, que não seja dominado por pastores?
Daniel D. Dias
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