quinta-feira, 1 de outubro de 2015
De vitória em vitória até à derrota final?
Será assim uma vez mais?
Não sei. Por algum tempo ainda admitirei que seja apenas mais um simulacro estratégico - ou uma trampa, como diriam os nossos companheiros castelhanos - congeminada pelos incansáveis marketeers que controlam os me(r)dia lusitanos. Mas, pelo sim pelo não, preparo-me para engolir mais um sapo, desses que abundam no atávico charco deste reino cadaveroso portuga, que persiste (não se cansa de sebasteanar), apesar das caganças de modernidade que ostenta...
E vou engoli-lo a troco de nada. Como sempre fiz, aliás.
Mas desta vez precavi-me. Desde as últimas eleições percebi que este povo de marinheiros - talvez cansado de tanto navegar em superfícies turbulentas e “mares de cabrões”-, prefere agora a mortal calmaria dos fundos marinhos, povoados, à falta de peixe, por uma frota de inúteis submarinos. E adquiri, obviamente, uma discreta bóia, dessas familiares, para não correr o risco de partir sozinho à deriva por esses mares afora. Claro está: o omeprazol passou também a fazer parte da minha dieta. Porquê esse luxo - perguntam-me -, se deixei de frequentar restaurantes, se passei a ser obsessivamente frugal? Aí têm a resposta: Para prevenir as náuseas dos náufragos e neutralizar a acidez que todo o sapo sempre implica.
Já tinha avisado: o redil há muito está preparado. É só entrar e seguir os maiorais, sem pieguices. E não se atropelem se faz favor!
(Último aviso.)
Daniel D. Dias
sábado, 26 de setembro de 2015
Aviso à navegação
A fazer fé nas sondagens que vão sendo anunciadas pelos “merdia” portugueses, o povo está pronto para renovar o poder aos arrebentas que subiram ao poder há 4 anos com aldrabices, truques e ladainhas, de que agora parece ninguém recordar-se. Sei que há gente que beneficia com governos deste tipo – são sempre uma minoria bem entendido – mas estou certo que a esmagadora maioria do povo vai sofrer com este facto, caso ele venha a concretizar-se. Se ganharem em resultado da divisão dos votos ou da abstenção, os arrebentas, que já não têm qualquer espécie de vergonha, obterão um reforço que lhes permitirá fazer tudo o que quiserem, agora com redobrado vigor. Não tenham qualquer espécie de dúvida. A ideia que é “tudo farinha do mesmo saco”, está, mais uma vez, a ser alimentada e uma vez mais vai fazer estragos. Não. Não é indiferente votar neste ou naquele partido sob o pretexto de que os políticos são todos iguais. Também os que julgam que não votando penalizam esta comissão liquidatária a que chamam governo também estão redondamente enganados e mostram que, ou são masoquistas, ou que não aprenderam nada.
Por favor, se não vivem à conta desta corja, pensem bem: Não façam escolhas emocionais, façam escolhas estratégicas. Apoiem quem esta maioria ataca, quem ela elege como inimigo principal, quer gostem ou não gostem da solução. Pode ser que engulam um sapo mas tudo será preferível do que continuar a ter esta gente no poder.
Não digam que não vos avisei!
Daniel D. Dias
terça-feira, 14 de julho de 2015
Os fracassos da esquerda europeia e o renascimento alemão
Os atuais acontecimentos da
Grécia evidenciam que é a “realpolitik” que domina. A ideia de ética –
democrática ou outra - está totalmente ausente, ou, se se quiser, está
totalmente subordinada aos interesses geoestratégicos dominantes. É óbvio que o
que está em jogo é aproveitar a Grécia para dar uma segunda vida à direita que
subiu ao poder com a crise na Europa, designadamente em Portugal e na Espanha,
e para mostrar quem manda. O
favorecimento da extrema direita fascista que esta política promove, em toda a
linha e por todo o lado, parece não preocupar minimamente os eurocratas que
controlam – sem escrutínio democrático! – as cada vez mais ineficazes
instituições europeias. O que é preciso é conservar o poder, para construir
velhos sonhos imperiais… Antigos fantasmas renascem dum passado não assim tão
distante.
As pessoas vivem distraídas e
não percebem que o que se passa é um certo renascimento alemão que há muito vem
a ser preparado. Já nos anos 70 a Alemanha Ocidental exibia as suas aspirações
de dominância – por exemplo em projetos internacionais, ou em grandes feiras -
que só não iam mais longe por causa das limitações que a sua zona leste
“ocupada” implicava. Com o providencial desmantelamento da URSS, a troco de
nada – traindo sem vergonha promessas feitas a Gorbachev – a Alemanha ganha um
novo fôlego e duma penada inicia o controle da Europa. Aproveita a morte de
Tito para iniciar o desmantelamento da Jugoslávia, abrindo ligações aos velhos
aliados germanófilos – Eslovénia e Croácia. A guerra dos Balcãs é um dos
grandes crimes do século XX, com responsáveis bem definidos ainda no ativo. Uma
guerra apoiada nos dinheiros e estratégias alemãs, conduzida pela NATO, numa
aliança espúria EUA-Alemanha.
Logo após a unificação alemã
(paga com dinheiros europeus, é bom que se recorde, na altura os deficits
excessivos não constituíam problema), a Europa Social deixou de interessar. Só
importava mostrar a superioridade do “modelo social europeu”, enquanto o “Bloco
de Leste” era uma potencial ameaça e um concorrente. Valia tudo: até um Papa
foram desencantar no Leste para minar as fragilidades da decadente URSS… A
partir do momento em que fábricas gigantescas do leste passaram para mãos
alemãs e americanas a troco da manutenção dos postos de trabalho, em que uma nova
“numenklatura” russa passou a enviar para os bancos americanos e ingleses os
esbulhos feitos na ex URSS, o estado social europeu deixou de ser uma
prioridade. O Euro, feito à medida para a Alemanha – até tinha o mesmo valor do
marco alemão – era a peça que faltava para dominar a Europa. Claro havia a
França, a Itália, e um pouco o Reino Unido, mas isso são obstáculos que os
alemães já estavam habituados a contornar. Com a ajuda dos democratas cristãos
nada há que não se consiga. Mais tarde ou mais cedo a autoridade germânica
haveria de se impor. Percebe-se agora que o
fantasma do “Lebensraum”, - do “espaço vital” alemão -,
nunca morreu nem foi esquecido… Só mudaram as táticas muito com a ajuda
do “amigo americano”. Anos a fio prepararam os povos europeus com os seus
milagres económicos e tecnológicos, exibiram a sua tenacidade e disciplina, e
treinaram massivamente “gauleiters” que
agora estão por todo lado, nesta Europa, a exercer o poder em nome da Alemanha.
Genialidade, não há dúvida, duma Alemanha, que, talvez ninguém já perceba,
continua oficialmente a ser um país ocupado pelos vencedores da Guerra – EUA,
UK e a França. Afinal a Alemanha só foi libertada pelo principal vencedor da
Guerra - a Rússia -, mas parece que esse facto se tornou num incentivo para
colocar de novo esse pais na categoria de inimigo principal… Estarão esquecidos
da história?
A Grécia foi obviamente
humilhada, pelas instituições europeias às ordens da Alemanha, mas na realidade
quem foi verdadeiramente humilhada foi toda a Europa e em especial a esquerda
europeia. Esquerda, que afinal, acaba por colher os resultados da sua
inabilidade e contradições crónicas. Em 60 anos de pós guerra, nunca encontrou
plataformas comuns de ação, nunca demonstrou uma nesga da sua natureza internacionalista.
A direita da Europa governa à vontade pois encontra sempre formas de sobreviver
à custa duma esquerda que promove a divisão entre si, que empurra setores
sociais pouco politizados ou amplas camadas das classes médias para os
equívocos braços da direita.
Com Marx nasceu a ideia de
que, conhecendo a “mecânica” do processo histórico, a inevitabilidade de
esperar que um modo de produção se esgote para iniciar um outro mais avançado,
poderia ser antecipado. Para tanto bastavam criar organizações políticas (de
esquerda) que entendessem esta realidade e que, através de alianças hábeis,
tomassem o poder e desse modo lograriam abreviar os sofrimentos da humanidade.
Mas não foi isso que temos assistido, pelo menos por aqui, na Europa. Desde há
anos que se impunham posições comuns, coordenadas, das organizações de
esquerda. Mas nada vemos de substancial. Pelo contrário: assistimos a uma luta
feroz entre organizações de esquerda para reduzir a influência de outras
organizações congéneres nas eleições em que participam… Onde para o
internacionalismo, a solidariedade, a superioridade moral da esquerda? Quem se
lembra das “frentes populares” que atrasaram os avanços dos nazistas e que, em
alguns casos, os derrotaram?
É caso para dizer: com as
atuais esquerdas as direitas podem fazer o que quiserem. Na América Latina
parece que as esquerdas começaram a aprender alguma coisa mas aqui na Europa,
tarda, tarda. Que será preciso para aprender? Uma nova guerra?
Daniel D. Dias
quarta-feira, 8 de julho de 2015
Democracia: Verdades e falsidades correntes
É sabido que a ideia da
democracia fascina porque é entendida como o regime das liberdades e da
igualdade. Há décadas que se divulga esta ideia de modo tão simplista e
sistemático que o público já a interiorizou sem discussão. Em democracia (pelo
menos formalmente) todos têm mais direitos e garantias de tratamento
igualitário do que em qualquer outro regime. Mas como explicar que as
democracias vigentes registem tantas e tão enormes desigualdades entre os seus
cidadãos, não se distinguindo frequentemente dos regimes não democráticos? A
explicação mais comum é que tal facto é consequência da “livre iniciativa” que
é um dos principais apanágios da democracia. Esta apregoada característica da
democracia é pródiga a gerar oportunidades e em consequência, são favorecidos
os mais audazes, os mais criativos, os mais trabalhadores… Naturalmente, os que
não arriscam, os que não têm criatividade, os que trabalham pouco, são penalizados.
Mas será assim mesmo? As
diferenças de qualidade entre humanos - uma convicção tão cara aos adeptos das “raças
superiores” ou do “darwinismo social”, que, descarada ou sub-repticiamente, continua
a proliferar -, será tão real que as desigualdades que se registam no mundo, e
que não param de se agravar, são mesmo resultado dessa “livre iniciativa”, que
está aí, disponível ao alcance de todos?
Pode admitir-se “de jure” que
“os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos” – como proclama
o artigo 1º da Declaração Universal do Direitos do Homem, adotada pelas Nações
Unidas em 1945 -, mas nunca nascerão “de facto” em condições de igualdade. Uns nascem
de famílias estruturadas; outros nascem sem pai, ou são abandonados à nascença.
Uns nascem num ambiente cultural estável, enriquecedor; outros são filhos de
famílias incultas ou analfabetas. Uns nascem em casas higiénicas e confortáveis,
outros nascem em pardieiros insalubres e inseguros. Uns já são ricos quando
nascem; outros são filhos de desempregados que vivem na miséria… Por isso a
ideia de que basta haver democracia para haver igualdade é profundamente
hipócrita e falsa. Para que a democracia seja, de facto, o “governo do povo e
para o povo” e que assegure “o maior bem para o maior número”, é preciso que
não se limite ao sufrágio universal e à igualdade perante a lei. É preciso também
que crie condições de igualdade à partida. Seja através do Estado Social, seja
através doutro qualquer modelo político humanista, é imprescindível que a
democracia assegure também as condições base da existência – segurança,
alimentação, saúde, educação, habitação – de forma generalizada e igualitária.
Só depois deste pressuposto assegurado é que se poderá afirmar que existem condições
para o exercício duma verdadeira competividade.
Todavia os seres humanos não
são de facto iguais. As doutrinas que até agora promoveram o igualitarismo deram
mau resultado. Remunerar por igual o que se esforça e o preguiçoso não estimula
o aperfeiçoamento nem a dedicação ao trabalho. Cada ser humano é um caso, e
como tal deve ser tratado. As características individuais devem ser
cuidadosamente enquadradas por forma a promover todo o potencial de que cada
ser humano portador. As especificidades dos seres humanos são desafios
estimulantes e enriquecedores. Se as condições à partida estiverem asseguradas,
os potenciais individuais surgirão e uma competitividade genuína e saudável nascerá
daí. Seguramente destacar-se-ão os melhores e alguns ficarão para trás, mas
esta clivagem, será natural, aceite por todos. Não aportará invejas,
frustração, conflitos sociais, como os que se assistem na atualidade, um pouco,
por todo o mundo.
A democracia é importante –
fundamental mesmo - mas não deve ser usada para mascarar realidades. Por
exemplo, comparar os sucessos de países ricos com os insucessos de países
pobres atribuindo-os às suas práticas democráticas, pode ser um grande equívoco.
Mas não há dúvida: A democracia deve ser aprofundada e apoiada num ambiente
social materialmente favorável, para dar resultados. Poder-se-á dizer que uma democracia
que não promova desenvolvimento é uma falsa democracia ou uma democracia em
risco de deixar de o ser. Do mesmo modo se poderá afirmar que um desenvolvimento
que não promova a democracia, que não a melhore ou se oponha a ela, é um
desenvolvimento socialmente frágil, potencialmente conflituoso.
Daniel. D. Dias
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Lições do Lucas
O Lucas é o meu neto mais novo, tem pouco mais de 2 anos e ainda fala luquês – lubês, na versão do meu outro neto, Vicente - embora eu tenha quase a certeza de que conhece a língua comum muito melhor do que dá a entender. Ele lá terá as suas razões para se expressar naquela língua muito económica em léxico mas muito ampla em semântica e ultraflexível em sintaxe. Por exemplo: uma palavra em luquês pode ter várias significações dependendo do contexto que, como é frequente nesta fase da vida, varia num ápice dum momento para o outro. Não é uma enorme vantagem?
O Lucas é obviamente “o bebé mais bonito do mundo” – como são, aliás, todos os bebés, especialmente os mais novos - embora tenha acanhamento em reconhecê-lo. Quando às vezes lhe faço a pergunta - só para testar a sua auto estima -, ele desvia a atenção para outro tema ou então, provocatoriamente, indica o nome de outro bebé.
O Lucas pratica luquices que são coisas que ele inventa normalmente para se divertir, aprender ou então para experimentar qualquer coisa nova. Por vezes essas luquices servem também para passar o tempo, quando já está cansado ou quando está prestes a aborrecer-se.
Algumas dessas luquices são verdadeiras lições para mim. Reparem nesta.
Um dia destes o Lucas experimentou deitar duas bananas, boas e intactas, no caixote do lixo da reciclagem. Não fez aquilo às escondidas. Fê-lo bem à minha frente; percebia-se que se tratava duma experiência. Claro, fui logo atrás, sem alardes nem ameaças, retirar as bananas do caixote, sempre avisando que aquilo não se devia fazer: o lixo é para coisas que não prestam e as bananas estavam boas.
Lucas prestou atenção a tudo e não pareceu em nada intimidado. Uns momentos depois aproximou-se de mim, que estava sentado ocupado com outra coisa, e puxou-me delicadamente a mão. Colocou-me a palma virada para cima, tudo com imensa delicadeza, e fez o gesto de me dar uma palmadinha. Uma espécie de simulacro de castigo. Depois, virado para mim, de indicador bem esticado pedagogicamente a abanar, admoestou-me com um veemente “Não, não!” Traduzido do luquês, tudo aquilo queria dizer: “Não se podem deitar bananas no lixo porque é mal feito e podes ser castigado por isso. Não voltes a fazer”.
Naquele momento, de repente, apercebi-me desta interessante forma que as crianças utilizam – quando podem! – para aprender regras de conduta. Um castigo – mesmo pequeno - é algo que lhes custa aceitar. Mas desde muito pequenas elas têm a noção de que algo que seja errado deve ser corrigido, o que pode implicar um receado castigo. Que fazer então? Transformar a necessária correção num jogo – numa espécie de faz de conta – com a colaboração dum adulto no qual tenham confiança. O castigo para uma criança é algo independente do prevaricador. É preciso é que o acontecimento errado ou negativo, obtenha a devida condenação. Seja qual for a forma. A pessoa também é indiferente. É o ato que se castiga, não tem de ser a pessoa! Transferem então o ato de castigar para alguém mais apto a aprender a lição, mais capaz de “suportar” o castigo. Alguém que aprenda a lição pela criança, sem se zangar. Isto só pode ser feito com alguém de quem se gosta e em quem se tenha toda a confiança. E a criança aprende a lição, sem precisar de castigos! Inteligente não é?
A lição é esta: para uma criança ainda não contaminada por ideias “justiceiras” e “moralistas”, o ato errado é que precisa de castigo – para ser evitada a sua repetição no futuro. Não é quem comete o ato que deve ser condenado MAS O QUE FOI MAL FEITO, O QUE CORREU MAL. É por isso que quase todas as crianças apreciam que se “castigue” o sítio – dando umas palmadinhas, por exemplo, na esquina do móvel -, onde bateram acidentalmente com a cabeça…
Se os nossos pedagogos, moralistas e justiceiros, que enxameiam a sociedade, prestassem mais atenção às crianças e aprendessem mais com elas - em vez de persistirem em torná-las “civilizadas”, “educadas” e “competitivas” -, talvez o mundo estivesse mais funcional, mais justo, e, sobretudo, mais feliz.
Daniel D. Dias
domingo, 3 de maio de 2015
MERDRA!
Sinto que as pessoas desanimam, que se resignam a aceitar toda a espécie de comportamentos abusivos, desumanos, embora continuem a manifestar alguma revolta quando são ”abanados” por qualquer coisa expressiva dessa realidade. Muitas atribuem esse estado de coisas à política, à má qualidade dos políticos, à (inevitabilidade) da corrupção, a desonestidade (intrínseca) do ser humano, à eventual decadência dos costumes, etc., etc. Mas raramente vão além deste patamar.
Perdoem-me o desabafo mas é mesmo isto o que sinto:
As pessoas – a sua maioria pelo menos – estão sempre disponíveis para prestar toda a atenção a “fait divers” chocantes, para se indignarem com acidentes aparatosos, crianças ou animais ternurentos a ser mal tratados, denúncia de roubos, manifestações de violência doméstica, uso abusivo e descarado de bens públicos, atos de crueldade cometido por terroristas, comportamentos aberrantes, entre muitos outros. Quanto mais chocantes e brutais, maior a atenção dispensada. Até parece haver um certo gozo doentio na observação destes casos que submergem os “media” a toda o momento. Porém na prática não parecem assim tão sensíveis. Borrifam-se para entender as origens – as causas - desses fenómenos. Não só não fazem o mais pequeno esforço para descobrir a génese dessas desgraças, como se contentam com as explicações simplórias que lhe são fornecidas por “especialistas” que as tratam como crianças pequenas.
Na prática as pessoas estão-se nas tintas para as causas dos problemas. É sabido que na génese da maioria dos problemas está a desigualdade de oportunidades à partida, os tratamentos discriminatórios que persistem, a educação insuficiente e desadequada, a falta de participação nas instituições públicas, a falta de organização ou a gestão deficiente. Colher informação séria (também a há disponível na internet) investigar a génese dos acontecimentos, interessar-se pela história – não por “histórias”-, avaliar criticamente o que se lê, talvez ajudasse a criar um público com massa crítica suficiente para influenciar os acontecimentos negativos que nos assolam e eventualmente revertê-los… Conhecer é o primeiro passo para resolver qualquer problema – não é verdade? E talvez este comportamento ajudasse “a animar a malta”: Sem ânimo não chegamos a lado nenhum…
Mas a vida já é tão aborrecida, não é verdade? Porquê gastar o nosso tempinho a tentar perceber qual é a génese da corrupção ou da violência – doméstica ou de outra qualquer? Um artigo com mais de cinco linhas não e já um excesso? Que adianta saber as razões porque elegemos políticos que sistematicamente nos desiludem? No final não vai ficar tudo na mesma?
É caso para dizer: MERDRA!
(Não digo MERDA para não ofender ninguém…)
Daniel D. Dias
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Da dificuldade em mudar de opinião
Espantam-se muitos com a aparente dificuldade que as pessoas
manifestam em mudar de opinião – para corrigi-la eventualmente - face a
repetidos resultados insatisfatórios. Não se apercebem que quase toda a gente,
muito antes de aderir a uma ideia, já está modelado por ela, disponível para
aderir ao seu conteúdo sem lhe obstar grandes exigências críticas. Porque é
isto assim? Haverá outras razões mas a
principal talvez seja, a comodidade, o
conforto que proporciona sentir que nos identificamos com um determinado grupo
que pensa de uma certa forma. Deste modo não corremos o risco de ficarmos a
defender ideias sozinhos, por exemplo, a vociferar que o rei vai nu, arriscando
a sermos tomados por loucos.
Daniel D. Dias
domingo, 29 de março de 2015
Quem tem medo do lobo mau?
“Uma coligação de movimentos rebeldes e grupos próximos da
Al-Qaeda conquistou a cidade de Idlib, no nordeste da Síria. É a segunda capital de província que o
regime perde desde o início do conflito, há quatro anos”, noticia hoje a Euronews
com mal disfarçado regozijo. Afinal a estratégia do Prémio Nobel da Paz, Obama,
está a resultar: O inimigo principal, o malvado oftalmologista laico Assad,
continua a ser perseguido para ver se tem um fim parecido com o de Kadaffi,
outro malvado. O pretexto já não são armas químicas. Agora é o “estado Islâmico”,
concorrente da Al-Qaeda, que anda a dar
muito nas vistas com as suas carnificinas mediáticas.
São estes os “rebeldes
moderados”, que os EUA, EU e seus aliados apoiam sem reservas, com armas,
munições, bombardeamentos, cobertura mediática e dinheiro. Afinal a Al-Qaeda
nem é assim tão má! Se o fosse não estaria a ser apoiada em vários países,
designadamente na Síria e na Líbia onde até decorrem negociações para um “governo
de unidade”. No Yemen, onde a “Primavera Árabe” não está a correr a contento da
Arábia Saudita, este indefectível aliado dos EUA não hesitou em invadir esse país,
começando por bombardear massivamente as populações, como é tradicional, apoiando
e apoiando-se em milícias da Al-Qaeda que no terreno combatem a rebelião Houthi.
A manifesta ilegalidade desta ação está
agora a ser colmatada com um apoio arrancado à pressão na sempre prestável “Liga
Árabe”. Entretanto, a chamada “comunidade internacional”, os EUA, a EU, os
infatigáveis militantes anti terroristas, Obama, Cameron, Hollande, refugiam-se
numa estranha neutralidade colaborante e vão alimentando a opinião pública com
a amplas cerimónias de fervor anti terrorista… Não faz tudo isto lembrar a história dos três porquinhos
e do lobo-mau? Afinal, quem tem medo lobo mau, ou seja, quem leva a sério o
terrorismo?
Daniel D. Dias
segunda-feira, 16 de março de 2015
Brasil
A América Latina foi até há pouco o
“pátio traseiro” dos EUA*, onde tudo parecia estar ao serviço e sob controlo
desta superpotência. Mas as coisas começaram a mudar nas últimas décadas: Uma
nova consciência das pessoas e uma geração de líderes reformadores vieram
tornar possível colocar os enormes recursos desta região ao serviço dos seus
povos e não apenas ao serviço de classes muito reduzidas, como sempre aconteceu.
Pode apontar-se que esta ação tem sido desenvolvida, em alguns casos, com
alguma inépcia e noutros, de forma pouco clara. Ainda assim é inegável que as
enormes desigualdades existentes diminuíram e que os resultados positivos em
termos sociais são bem concretos: a fome, a doença, o analfabetismo e a miséria
extrema, têm sido - pela primeira vez em 500 anos -, consistentemente
combatidos.
Esta realidade configura um pecado
mortal, uma ousadia jamais admitida, que os EUA e seus aliados sempre
rejeitaram sem contemplações. É daqui que decorrem as sucessivas campanhas orientadas
contra vários países da região – Argentina, Venezuela, Brasil, entre outros. As
versões que os “media” espalham pelo mundo - é sabido que os EUA dominam os
“media” mundiais – são parciais, preconceituosas, pseudo moralistas e destorcem
os factos. Tem sido a forma habitual para preparar o terreno para ações mais
musculadas – revoluções coloridas, primaveras árabes, etc. - como as que temos
vindo a assistir no Médio Oriente, no Norte de África, nas vizinhanças da
Rússia e da China.
As manifestações de ontem no Brasil
fazem parte destas campanhas que em muitos aspetos lembram o Chile dos tempos
de Allende antes do golpe de Pinochet. Havia por lá muita gente, nutrida e bem
parecida, a bater tachos e até a reclamar o regresso da ditadura militar…
O vídeo que se segue ajuda a
perceber de forma simples e bastante detalhe o que está agora em causa no
Brasil.
https://www.facebook.com/l.php?u=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DnOaff79Tpqg%26feature%3Dyoutu.be&h=EAQFNF9G3
Texto original em inglês
http://journal-neo.org/2014/11/18/brics-brazil-president-next-washington-target/
Daniel D. Dias
* “Há uma resistência muito significativa
contra o assalto neoliberal. A mais importante verifica-se na América do Sul, é
espectacular. Durante 500 anos, a América do Sul sofreu a dominação das
potencias imperiais ocidentais, a última das quais os EUA. Mas nos últimos 10
ou 15 anos começou a romper com isso. Isto tem muita relevância. A América
Latina foi um dos sócios mais leais dos consensos de Washington, das políticas
oficiais.”
Noam Chomsky, in entrevista de
Miguel Mora “Syriza y Podemos son la reacción al asalto neoliberal que aplasta
a la periferia”, de 8 de fevereiro de 2015
http://ctxt.es/es/20150205/politica/286/%E2%80%9CSyriza-y-Podemos-son-la-reacci%C3%B3n-al-asalto-neoliberal-que-aplasta-a-la-periferia%E2%80%9D-Internacional.htm
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Treta hipócrita ou hospital de loucos?
Salta aos olhos que o “Estado Islâmico”,
que tanto preocupa a "comunidade internacional", não vive do ar. A
sua complexa logística, o seu sofisticado equipamento bélico e de comunicação,
a alimentação e municiamento das suas tropas, são caros e não podem ter origem
numa Síria ou num Iraque em chamas.
É cada vez mais evidente que a placa
giratória do tráfico que sustenta o ISIS se situa na Turquia que é um dos mais
importantes membros da NATO. Segundo Assad* na entrevista que concedeu a um jornal checo
no dia seguinte aos atentados de Paris http://www.sana.sy/en/?p=25117,
o Qatar e a Arábia Saudita financiam o “Estado
Islâmico”, que conta com outros apoios significativos designadamente da
Jordânia e de alguns partidos libaneses. A França já veio reconhecer que armou
os terroristas do ISIS http://g1.globo.com/mundo/siria/noticia/2014/08/franca-repassou-armas-rebeldes-sirios-ha-varios-meses.html.
Israel também “dá uma ajudinha” ao ISIS atacando o exército Sírio pelos ares. É
uma espécie de força aérea do “Estado Islâmico”… O curioso é que todos estes
países são amigos e aliados dos EUA, UK e França, e fazem parte da tal coligação
alargada liderada pelos EUA destinada a combater o ISIS.
Agora, um membro do ISIS capturado pelos
serviços secretos paquistaneses, vem dizer que recebeu financiamento procedente
dos EUA http://tribune.com.pk/story/828761/startling-revelations-is-operative-confesses-to-getting-funds-via-us/...
Ou esta guerra ao “Estado Islâmico”
não passa duma treta hipócrita e sangrenta ou então vivemos num hospital de
loucos administrado por psicopatas?
Ou ambas coisas.
Daniel D. Dias
*Sugiro vivamente a leitura integral desta entrevista.
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