quinta-feira, 26 de maio de 2016

Na mesma hora



Esta borboleta
este fulgor que faísca
está viva em mim

É sonho, é memória
é ilusão
e nada é. Eu sei

E sendo nada, é tudo.

Este mim que transmigra
lá no fundo do mistério das palavras
fica em silêncio

Escuta os discursos mais descabelados
palpita, vibra com todas as emoções
mas queda silencioso

Ele sabe o valor do silêncio
fala mas sabe que no interior da sua voz
só o silêncio reina

No seu palácio de vento e nuvens
o vazio da grande luz
aquece corações:
esses que não têm perguntas
esses que apenas existem
e nem sabem que existem
e alguns, também, que apenas se deixam existir

Esta borboleta que vibra em mim
sente os raios de sol
aquece, por algum tempo,

morre e vive na mesma hora


Daniel D. Dias

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