sábado, 23 de novembro de 2013

Cuspir no chão



Um dia, há muitos anos, numa humilde taberna na província, vi um letreiro que pedia aos clientes para não cuspirem no chão, um hábito que se diz ser bem português. O letreiro chamou-me à atenção porque estava cheio de erros ortográficos, caricatos, mas percebia-se  muito bem o que dizia. Perguntei à taberneira se o anúncio tinha resultado, se os frequentadores tinham deixado de cuspir no chão. Respondeu-me que sim PORQUE TINHAM SIDO ELES PRÓPRIOS A TER A INICIATIVA de fazer o anúncio. “Se fosse alguém de fora - como já tinha acontecido antes -, não teria resultado” – esclareceu a taberneira.

Nunca mais esqueci esta grande lição de pedagogia. As pessoas só mudam de hábitos se essa mudança for desejada, voluntária, induzida de dentro para fora. Doutra forma reagem e persistem em manter os seus hábitos, por mais arcaicos que sejam. E isto também se passa com os povos. Nenhum gosta que sejam os de fora a impor-lhe os seus costumes. Agradecem que os ensinem mas rejeitam que os obriguem a aprender.

Daniel D. Dias

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