terça-feira, 24 de novembro de 2015

Que Europa é esta?



Ao que parece os chamados "rebeldes moderados", - aliados da Turquia, apoiados, armados e financiados pelos EUA, França, UK, etc. -, liquidaram um dos dois pilotos do caça russo abatido hoje por caças turcos. O avião teria violado o espaço aéreo turco, facto que a Rússia nega, ao mesmo tempo que condena veementemente esta ação. Recorde-se que estava prevista uma reunião em Ancara, para amanhã já, entre a Rússia e a Turquia, para discutir, entre outras questões, a cooperação Rússia-Turquia na luta anti terrorista. Putin durante uma conferência de imprensa, na presença do rei Abdullah II, classificou este ato como "uma facada nas costas" que terá "consequências sérias para as relações russo-turcas". O avião russo despenhou-se em território Sírio, a 5 quilómetros da fronteira turca, onde também se ejetaram os seus pilotos.  http://www.rtp.pt/noticias/mundo/turquia-abate-caca-russo-na-fronteira-com-a-siria-ao-minuto_e876345#  Um dos pilotos do avião está desaparecido e outro terá sido capturado e morto por “rebeldes” com sotaque turco. https://www.facebook.com/United.Syrian.Republic/videos/1730624370505056/?fref=nf

É o segundo incidente deste tipo que ocorre em pouco tempo mas este é particularmente grave porque configura um ato de guerra entre duas potências vizinhas, oficialmente amigas e com tradicionais boas relações. A Turquia após estes acontecimentos em vez de contactar a Rússia foi queixar-se à NATO, que logo reuniu de emergência. Putin, a este propósito, ironizou: “Querem pôr a NATO ao serviço do Estado Islâmico?”

A recente intervenção da Rússia apoiando o único exército no terreno capaz de fazer frente e liquidar o "Estado Islâmico", está a incomodar muito o mundo ocidental. A aviação russa tem destruído massivamente as infindáveis colunas de camiões carregadas de petróleo que passam tranquilamente pela fronteira turca para aí ser vendido. A quem? Naturalmente à Turquia mas também a países europeus, que – ironia das ironias - agora estão a ser atacados por esses ingratos jihadistas… Concentra-se também na destruição de armamento fornecido aos rebeldes “bons” que estranhamente passa quase de imediato para as mãos do ISIS. Entretanto o exército Sírio, graças ao apoio aéreo que agora recebe da Rússia, aumentou a sua eficácia e avança desalojando o ISIS, o que parece não agradar à aliança liderada por Obama criada com esse mesmo fim...

Este incidente vai ter certamente consequências. A Rússia joga muito da sua segurança na guerra da Síria pois, obviamente, não quer regressar aos tempos das guerras da Tchechénia. A Turquia, por outro lado, aliada dos EUA mas também da Arábia Saudita - principal promotor do terrorismo de fachada islamita -, teme o fortalecimento do povo Curdo, potencial aliado da Síria de Assad por força da circunstância de ambos os povos sofrerem às mãos dum inimigo comum. A direita turca  que reforçou de novo o seu poder, deita mão a tudo para  levar por diante o seu projeto neo otomano, designadamente recorrendo ao terrorismo jihadista, à repressão policial e ao controle fascista da informação. Foi assim que ganhou as últimas eleições. Um estado sírio, secular, e um Curdistão hostil, eventualmente independente, é tudo o que menos deseja e mais teme. Oh da guarda! então, e chama a NATO.

Perante este quadro, a Europa atual controlada pela direita (ou por uma esquerda de pacotilha) não consegue ter uma visão própria, autónoma em termos geo estratégicos. Em vez disso segue ziguezagueando, entre contradições absurdas. Responde à ameaça terrorista no seu território, emocional e demagogicamente.  Não aproveita a oportunidade para corrigir os seus erros em matéria de política externa e mais parece fazer questão em agravá-los. Implementa orientações repressivas – em vez de medidas preventivas - que pouco efeito terão em termos da segurança dos cidadãos, e que, a curto ou médio prazo, se não houver nenhuma mudança significativa entretanto, abrirá a porta a novos e mais perigosos incidentes. Em vez de se abrir a alianças inteligentes, em vez de se antecipar aos problemas, desfazendo nós que ajudou a criar, incentivando, por exemplo, o desenvolvimento económico nos países que antes colonizou, fecha-se, entrega-se nas mãos de potências que só geraram conflitos nas últimas décadas e abre as portas do poder à direita fascista.

Hollande foi a Washington receber instruções para a conversa que vai ter amanhã em Moscovo. Foi logo prevenido de que Assad e a Rússia “fazem parte do problema, não da solução”… A solução – segundo Washington -  está na coligação de estados, de que fazem parte, entre outros, a Arábia Saudita, o Qatar, e agora a Turquia, que são promotores comprovados do terrorismo… Tudo países que não respeitam as liberdades e os mais elementares direitos humanos mas que à viva força os querem impor a terceiros de que não gostam.

Pergunta-se: Que raio de socialista é este Hollande? Que Europa é esta que parece andar a clamar por uma Terceira Guerra Mundial?

Daniel D. Dias

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